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A Nossa Culpa

A Nossa Culpa ….   …   … ……. L : Ah! Mas de quem é a culpa? Porquê estamos nesta situação? B : Talvez a culpa seja de todos nós. Uns até contribuem para a desmeritarizição da sociedade. para a valorização do demérito na sociedade. Outros, apáticos, assistem esse processo. E poucos tentam melhorar alguma coisa. Doutro modo, li noutra vez que 33% das pessoas procuram fazer algo de errado, outros 33% procuram fazer algo de certo e outros 33% assistem essa dualidade. C : Hummmmm!!! Como assim? B : Veja que todos reclamamos dos problemas sociais existentes, i.e., corrupção, criminalidade, degradação moral, por aí em diante. Mas poucos nos perguntamos qual é o nosso papel nesses problemas. Tanto na causa, assim como na resolução. L : Não percebo. Podes elaborar? B : Dizem que os exemplos nos ajudam a compreender melhor, então, vou exemplificar. Veja os motoristas e cobradores de chapa/transportes públicos (chapeiros); alguns deles encurtam rotas, outros não cumprem com...

A esperança não é um sentimento imaginário e nem distante, mas prático e próximo!

A esperança não é um sentimento imaginário e nem distante, mas prático e próximo! Quando pensamos em esperança, a priori lha percebemos como um ideal. A esperança é tida como algo teórico que não oferece conteúdo prático, e se oferece é de forma distante e não próxima. Por isso que a importância da palavra esperança é relativamente baixa. Pensemos na frase “tenha esperança que os problemas irão acabar”. Essa frase nos transmite a ideia de futuro, de distância (“os problemas IRÃO acabar,” mas “não acabaram”). E muitas vezes, termina aí. Poucos são os que agem paralelamente a esperança. Muitos esperam, tanto é que, a esperança é um substantivo que se relaciona etimologicamente ao verbo esperar, ESPERA[R]nça. Entretanto, a palavra esperança não pode nos deixar inativos. A esperança não é imaginaria, mas prática. Porquanto, existe a necessidade de manter a acção para que a esperança se materialize. Certo, a esperança é uma crença. E muitas vezes confundimos crença com inação. Por iss...

Pode a Síndrome de Estocolmo Explicar as Relações Internacionais Pós-Coloniais? De Uma Abordagem Quase Ucrónica.

Pode a Síndrome de Estocolmo Explicar as Relações Internacionais Pós-Coloniais? De Uma Abordagem Quase Ucrónica.   Existirá um Eros subconsciente entre as antigas colónias e as antigas metrópoles? Antes, façamos uma breve revisão das palavras-chaves para perceber o presente texto. Tais palavras são: Síndrome de Estocolmo, Relações Internacionais (RI) e pós-colonial. Primeiro, Síndrome de Estocolmo é uma resposta psicológica aonde um cativo começa a identificar-se favoravelmente com seus captores, incluindo a agenda e demanda desses últimos  (Lambert, 2020) . Esta designação inspira-se de uma situação de roubo que aconteceu em Estocolmo, na Suécia, quando em agosto de 1973 quatro reféns ficaram cativos por seis dias. Entretanto, durante esse período e após essa situação, os reféns desenvolveram sentimentos de proximidade com os raptores. Doravante passou-se a designar toda situação aonde os reféns desenvolvem afinidades e sentimentos de simpatia ou amizade para com os ra...

Da necessidade de uma reconceptualização do “lixo”

Da necessidade de uma reconceptualização do “lixo” Os conceitos ajudam-nos a perceber e forjar a nossa representação do mundo. Eles permitem que se crie uma relação entre a ideia e a matéria. Começam essa projeção do entendimento para a agentividade. Por isso os usamos. E por isso o conceito de “lixo” merece uma revisão. Aliás, ousemos: uma reconceptualização. O lixo é comumente conceptualizado como “[r]esíduo [isso é, resto] resultante de actividades domésticas, comerciais, industriais, etc., e que se deita fora.; detritos, sobras.” (Dicionario Priberam, 2020) . Depois, no estado de natureza, não existe o conceito sintético e prático de lixo. Atentemos para o facto de que o “(…) conceito de lixo está ligado a um produto que foi descartado e que não tem valor nenhum. (…) Portanto, as causas do lixo [são] puramente uma acção humana de descarte de um produto. Se (…) observar bem, na natureza o ser humano é o único animal que produz lixo”  (Machado, 2020) . E um complemento técni...

Não somos tão pobres como se diz! O Que o Ciclone IDAI nos mostrou.

Não somos tão pobres como se diz   Marcado na memória dos moçambicanos, 2019 é o ano que nos lembra a infeliz ocorrência do ciclone IDAI. Mas diz o milenar ditado: todo mal vem com o bem. Mais perspicaz ainda, outro ditado árabe considera que “com a adversidade vem a facilidade”. O ciclone IDAI criou destruição, certo. Destruição humana e material. Perdemos vários compatriotas, que contribuíam para a diversidade e o desenvolvimento do nosso rico país. Perdemos também infraestruturas de diversa função. Perdemos estradas, escolas, centros de saúde, centros comerciais e outros serviços. À perca de tudo isso acrescenta-se uma outra perca que, no entanto, é paradoxalmente um ganho; um ganho que, na verdade nunca foi perdido. Ganhamos riqueza. Qual? Face aos rastros de destruição e sofrimento causado pelo IDAI, como pensar em ganhos daí decorrentes? Sim, ganhamos uma riqueza que nunca a perdemos. Ganhamos a desconstrução de que somos pobres. Quando surgiu a ideia de que somos pobre...

Como os estudos de risco podem melhorar a sociedade pós-COronaVIrusDisease2019 (Covid_19) em Moçambique?

Como os estudos de risco podem melhorar a sociedade pós-COronaVIrusDisease2019 (Covid_19) em Moçambique? Desde o início do ano 2020, o covid_19 tem mudado o paradigma social – no sentido lato da palavra [1] – não apenas de Moçambique, mas também do mundo. Se o Covid_19 afectou todo um conjunto de sectores, ele demonstrou a fragilidade dos sectores de previsão e prevenção de risco, estudos de risco. Porquanto estes estão na vanguarda da defesa de todo o resto. Mudou a forma como se olha para as perspectivas, para os planos de contingência e principalmente para as probabilidades. Enquanto os estudos de risco usam em demasiado os instrumentos de probabilidade para sua operacionalização, eles não podem ser resumidos para um mecanismo probabilístico. Porquanto eles circundam a probabilidade e interagem com ela de dentro para fora e vice-versa. Consideremos estudos de risco como o processo de compreensão da probabilidade de materialização de eventos prejudiciais. Mas os estudos de risco...

A crise migratória no mediterrâneo: problema recente com raízes antigas.

A crise migratória no mediterrâneo: problema recente com raízes antigas. A emigração per se não é um aspecto negativo. Não é um problema. Nem o é a imigração. Porém, quando efectuadas de forma massiva, ambas podem constituir um problema, pois criam um desequilíbrio na capacidade de suportar a saída ou a entrada de indivíduos, respectivamente. E a migração de africanos para Europa, registou um aumento exponencial na última década. Mas além da preocupação com a emigração, as condições nas quais se efectua essa emigração é também preocupante. Por um lado, quando em um curto intervalo de tempo, saem muitos indivíduos, quando emigram de um lugar para o outro, pode-se verificar situações negativas como falta de mão-de-obra ou ruptura da coesão social, no território dos emigrantes. A emigração de massa – pela saída exponencial de indivíduos – torna-se um problema devido aos efeitos negativos que ela ocasiona. Por outro lado, quando em um curto intervalo de tempo, entram muitos indivíduos...