Por que as Embaixadas continuam importantes? Um olhar à Carta de Thiago Ávila
Este texto de apenas duas páginas expõe a relevância
das Embaixadas num contexto de globalização e contato rápido e directo entre as
lideranças de diferentes países. Essa introdução reflecte a ideia comum e razoável
de que a Embaixada facilita o contacto entre dois países. Alias, não apenas
comum, na medida em que as Embaixadas, Alto-Comissariados, Representações
Diplomáticas ou ainda Missões Diplomáticas, esta última designação mais
abrangente[1],
representam um Estado num outro Estado, um país num outro país. Por exemplo, a
Embaixada de Moçambique no Brasil, representa o Estado moçambicano no Estado
brasileiro.
Historicamente, as missões diplomáticas têm cinco funções fundamentais: (i) representar o Estado de Origem; (ii) proteger os interesses do Estado
de origem e seus nacionais; (iii) negociar
com o governo local; (iv) informar o
governo de origem sobre a dinâmica da vida politica, social e econômica no país
anfitrião; (v) promover relações
amistosas, econômicas, culturais e cientificas entre os dois países. Ora,
actualmente muitas dessas funções podem ser desempenhadas de forma virtual, por
isso os críticos e detratores da manutenção de Missões Diplomáticas ao estilo
tradicional consideram que não existe a necessidade das Missões Diplomáticas
continuarem a operar.
Contudo, um exemplo se faz necessário para explicar a importância
das Embaixadas. Em Março do corrente ano, Thiago Ávila, cidadão brasileiro que
estava numa das flotilhas humanitárias para Gaza[2],
foi preso pelo Governo israelita. Seguidamente, todo o contacto com entidades exteriores
foi limitado, apenas se permitiu o contacto com a Embaixada do Brasil em Tel
Avive[3].
Desse contacto, Thiago Ávila terá ditado o que veio a ser uma carta para sua
filha (link para a carta: https://oajuricaba.com.br/carta-de-thiago-avila-a-sua-filha/)[4],
escrita pelos funcionários (incluindo diplomatas) da Embaixada do Brasil
durante as sessões de interação entre Ávila e os funcionários. Portanto, se não
existisse a Embaixada do Brasil em Tel Avive, provavelmente a carta de Thiago Ávila
não existiria. Provavelmente o contacto entre Ávila e a família não existiria.
Provavelmente Brasil não defenderia adequadamente os interesses dos seus
cidadãos. E essa carta influenciou demasiadamente as campanhas globais de
pressão contra o Estado de Israel para soltura de Thiago Ávila, a Carta
influenciou a opinião pública brasileira, de forma particular, mas também
global, de forma geral.
No exemplo de Thiago Ávila percebe-se que a Embaixada
do Brasil em Tel Avive realizou todas as funções que lhe cabem, de acordo com o
artigo 3o da Convenção de Viena Sobre Relações Diplomáticas. O Estado é
conceptualmente definido como unidade política que congrega povo, território e
poder político organizado e, contextualmente, em relações internacionais,
acrescenta-se o reconhecimento internacional aos três elementos prévios.
Portanto, a Embaixada do Brasil cumpriu
cumulativamente os preceitos de uma Embaixada. Ela representou o Estado
brasileiro, que protegeu seu cidadão, garantindo assistência e negociando sua
soltura. Mas também manteve Brasília
informada sobre os acontecimentos em Tel Avive, sem comprometer as boas
relações entre Brasil e Israel.
Referências
Bibliográficas
1.
United
Nations, (2005), Vienna Convention on
Diplomatic Relations, 1961, United Nations.
2.
O
Ajuricaba (2026), Carta de Thiago Avila
Para Sua Filha, Consultado a 21 de Junho de 2026, pelas 20h45min, via Carta de Thiago Ávila a sua filha
- OAJURICABA.COM.BR.
3.
Instituto
Humanitas Unisinos, (2026), Carta de
Thiago Avila Para Sua Filha, Consultado a 21 de Junho de 2026, pelas 20h48,
via https://www.ihu.unisinos.br/categorias/665599-carta-de-thiago-avila-para-sua-filha-da-prisao
[1]
Mais abrangente porque as Missões Diplomáticas podem ser de diferente natureza,
com destaque para Embaixada e Alto-Comissariados. Por um lado Embaixadas é o
nome comum par Missões Diplomáticas, ou representação de um Estado num outro
Estado. Por outro lado, o termo Alto-Comissariado é usado exclusivamente quando
a representação diplomática em questão é de um país membro da Commonwealth (comunidades de Estados
associados à Coroa Britânica).
[2]
Flotilhas humanitárias sao um conjunto de embarcações que saem de diferentes países,
para fornecer ajuda humanitária para regiões aonde se vive uma crise humanitária
natural (devido a cheias, ciclones…) ou humana (devido a Guerra, bloqueio…).
Actualmente tem ocorrido diferentes flotilhas que procuram levar ajuda humanitária
para a Faixa de Gaza que está sob-bloqueio israelita, o que resulta na prisão
dos membros das flotilhas.
[3]
Normalmente, as Embaixadas têm suas sedes na Capital do Estado acreditador
(Estado que recbe a Embaixada).
[4]
O Ajuricaba, consultado a 21.06.2026, pelas 20h, www.oajuricaba.com.br
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