Fundamentalismo: A Prisão dos Actores Internacionais Modernos, desde EUA, Israel e Irão até Al-Qaeda, Boko Haram e o Movimento de Libertação do Senhor.

 As relações internacionais de hoje são fruto dos Acordos de Vestefália. Entretanto não se pode resumir a evolução histórica dos Estados a um evento histórico de 1648, data de assinatura dos Acordos de Vestefália. Porém, no estudo da interação entre Estados Modernos, os Acordos de Vestefália que colocaram fim a guerras religiosas na Europa – guerra dos 80 anos (1568-1648) e guerra dos 30 anos (1618-1648) – entre protestantes e católicos, grosso modo, surgem como um divisor de águas[1]. Esses acordos marcam o inicio das relações internacionais modernas. Assim, com o fim das guerras retro mencionadas, os signatários desses vários acordos concordam em não basear, doravante, suas relações na ideia de nação, mas sim, na razão de Estado.

Surge então com Vestefália o Estado moderno. É também com Vestefália que se estabelecem três princípios que vão guiar as acções dos Estados na interação entre eles. Falamos do princípio de (i) liberdade de culto (Estados multiculturais e multirreligiosos); princípio do (ii) reconhecimento (de outros reinos pelo sacro-império romano germânico – por conseguinte, não ingerência nos assuntos internos de outros Estados); e princípio do (iii) novo ordenamento jurídico europeu (baseado no Estado-nação). Esses princípios por serem aplicados até hoje mantém a pertinência de Vestefália, de tal forma que nos referimos ao Estado moderno como Estado Westfaliano. Contudo, percebe-se que alguns desses princípios enfrentam desafios, como o princípio da liberdade de culto – Estados multiculturais.

Vale lembrar uma diferença do antes e depois quanto a Vestefália. Antes de Vestefália, o Estado baseava-se em aspectos nacionais como religião, semelhança étnica, mesmos hábitos e costumes; enquanto que depois de Vestefália, esses aspectos perdem gradualmente importância, sendo substituídos por aspectos seculares e laicos. Os preceitos da paz de Ausburgo (1555), um acordo precedente a paz de Vestefália, conferiam aos príncipes o direito de implantar suas religiões em seus reinos, o que mudou com Vestefália, pois se estabeleceu a liberdade de culto dentro dos Estados. Por isso fala-se que antes de Vestefália dominava a ideia de nação-Estado e depois de Vestefália domina a ideia de Estado-nação.

Actualmente, porém, parece que o princípio de liberdade de culto está em xeque. Isso ocorre em diferentes partes do mundo. Tanto em Estados ocidentais, assim como orientais, nota-se o fortalecimento do fundamentalismo. E o fundamentalismo dentro dos Estados é por vezes alavancado por grupos relativamente poderosos e de alcance internacional. Portanto, actores Estatais assim como não estatais[2] têm tido comportamentos fundamentalistas. 

Por exemplo, os Estados africanos são, muitos deles, produtos do colonialismo. Isso é, a maioria dos Estados africanos foram colonizados pelas potências coloniais como França, Reino Unido, Portugal, Espanha, Alemanha, Bélgica e Itália, de forma permanente ou intermitente. Esse legado histórico torna os Estados africanos naquilo que se convencionou chamar de “Estados Pós-Coloniais”. São Estados Pós-Coloniais porquanto surgem do colonialismo, foram colônias.

Ora, tendo sido colônias, esses Estados procuram consolidar-se como entidades organizadas ao estilo ocidental, ao estilo westfaliano. Teoricamente, se define Estado como uma unidade politicamente organizada, num território específico, composto por uma população também específica. E em Teoria de Relações Internacionais, acrescenta-se o reconhecimento internacional – o Estado deve ser reconhecido por outros Estados e Organizações Internacionais relevantes, como Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo.

Entretanto, movimentos tidos como fundamentalistas condicionam a solidificação de muitos Estados, sobretudo no continente africano. No caso africano, do fundamentalismo, muitos movimentos tornam-se radicais e daí terroristas. Mas, globalmente, são os próprios Estados que agem em função de considerações fundamentalistas.

Este texto insere-se nessa busca de enquadramento do conceito “fundamentalismo”, de forma teórica para a realidade prática internacional, estatal e não estatal. Certamente, um estudo mais aprofundado ofereceria mais elementos de compreensão dessa preocupação, contudo, aqui se faz uma abordagem inicial, talvez superficial, para começar o debate na relação desses termos com a realidade. Dada a limitação diversa deste estudo, toma-se apenas alguns exemplos representativos para compreender como o fundamentalismo se enquadra na realidade internacional. Assim, casos como dos EUA, Israel, Irão, Índia, Al-Qaeda, Boko Haram, Movimento de Libertação do Senhor, demonstram como o fundamentalismo se enquadra na realidade internacional. Note-se a existência do fundamentalismo nos actores estatais assim como não estatais.[3]

1.Fundamentalismo

Fundamentalismo é um conceito ligado à movimentos religiosos e como tal consiste em olhar para a realidade material com base nos textos percebidos como sagrados. Assim, os fundamentalistas, de qualquer religião que sejam, procuram sustentar a actividade diária com base na interpretação que fazem dos textos religiosos, tal como exposto abaixo:

fundamentalism, type of conservative religious movement characterized by the advocacy of strict conformity to sacred texts. Once used exclusively to refer to American Protestants who insisted on the inerrancy of the Bible, the term fundamentalism was applied more broadly beginning in the late 20th century to a wide variety of religious movements. Indeed, in the broad sense of the term, many of the major religions of the world may be said to have fundamentalist movements. (Munson, 2026)[4]

Isso é, historicamente o fundamentalismo insere-se no contexto da evolução do Estado americano, por meio de congregações protestantes que se opunham, e ainda se opõem, a determinadas normas seculares. Por necessidade lógica, o fim último das correntes fundamentalistas é a implantação de um Estado teocrático.

Actualmente, o termo fundamentalismo é igualmente associado à alguns grupos malfeitores que usam a religião islâmica para cometer actos criminosos enquadrados como terroristas. Muitos dos integrantes desses grupos reivindicam-se de interpretações descontextualizadas do Alcorão para sustentar acções terroristas. Esses grupos são considerados, a bem ou a mal, defensores do fundamentalismo islâmico. Ao fundamentalismo correlaciona-se o conceito de Radicalismo, tal como se vai expor adiante. Por ora, importa distinguir como o fundamentalismo se enquadra em actores estatais e não estatais.

2. Casos de Estudo de Actores Estatais: Estados Unidos da América, Israel e Irão

Actores estatais são Estados, países, e são os principais actores das relações internacionais – aqueles que mais influenciam o curso da interação no mundo, no Sistema Internacional. Por isso, importa inicialmente ver como Estados lidam com o fundamentalismo.

2.1. Fundamentalismo Cristão nos Estados Unidos da América

Nos Estados Unidos, os movimentos fundamentalistas existem com relativa força desde o inicio do século XX. E embora o surgimento dos EUA nos remeta a criação de um bastião de liberdade, incluindo especificamente liberdade religiosa – como a colônia que se liberou da coroa britânica e do poder tradicional da igreja – a evolução do mesmo esteve associada à movimentos fundamentalistas. Aliás, o termo fundamentalismo foi cunhado nos anos 1920 nos EUA (Munson, 2026).[5] Naquele contexto a ideia central era de que os cristãos deveriam seguir os preceitos da bíblia na sua vida quotidiana, sobretudo os dez mandamentos.

Nos EUA, os fundamentalistas opunham-se ao estudo da teoria da evolução e ao consumo de bebidas inebriantes, por exemplo. Durante os primeiros anos, e até a década 70, os fundamentalistas afastavam-se da vida politica. Porém surgiram dois principais grupos de fundamentalistas nos EUA: milenaristas e pós-milenaristas. Os primeiros não consideravam necessário envolverem-se na política por ser um mundo predominantemente corrupto. Os segundos mantinham a convicção de envolverem-se na politica para acelerar a vinda de Jesus Cristo. Este último grupo tem ganho predominância na Administração do Presidente Donald Trump.

Assim, nos EUA o ojectivo dos fundamentalistas é de transformar o Estado numa teocracia Crista (Ibid). Esse objetivo pode ser visto actualmente na aproximação existente entre o Presidente Donald Trump e grupos fundamentalistas de congregações religiosas, sobretudo do espectro conservador e de direita na política norte-americana. Portanto, nota-se que a liderança americana está parcial ou totalmente sob influência de grupos fundamentalistas cristãos, sobretudo evangélicos (Prude, 2025). Essa influência nota-se ainda mais na guerra Israel-Irão contra EUA, onde os discursos do Presidente, Donald Trump, Secretário de Estado, Marco Rubio, Secretário de Guerra, Pete Hegseth, entre outros lideres, tem tido característica escatológica.

 

Imagem 1: Presidente Donald Trump Recebendo Bênçãos de Pastores Cristãos

Fonte: Christian News

Na imagem acima se vê o Presidente norte-americano acompanhado de Pastores Cristãos que lhe oferecem oração para que tenha sucesso na sua atividade Politica. Claro, em defesa do líder norte-americano pode-se considerar que Presidentes de vários países interagem com diferentes congregações religiosas; contudo, neste exemplo destaca-se que a Política Oficial do Estado, sobretudo no domínio externo é justificada por considerações bíblicas.[6] Ademais, esses encontros têm sido relativamente frequentes, de tal forma que, “as tropas americanas foram ditas que a guerra com o Irão é parte do plano divino de Deus. (Braun, 2026).

2.2. Fundamentalismo Judeu em Israel

No Estado de Israel, dos poucos nação-Estado[7] modernos, o fundamentalismo pode ser encontrado em grupos como os sionistas, e os judeus ultra-ortodoxos askenzis e safaradinos. Todos esses grupos procuram fazer uma interpretação escatológica da Torá e do Talmud aos eventos modernos. Antes da criação do Estado de Israel, duas perspectivas divergiam: a (1) criação do Estado de Israel apressaria a vinda do Messias, para salvar a humanidade e (2) a criação do Estado de Israel seria percebida como desafio para Deus, que olharia como interferência dos homens na busca pela vinda do messias.

Assim, a própria criação do Estado de Israel é visto nos círculos religiosos como cumprimento da profecia da figueira. Seguidamente, esses religiosos acreditam na necessidade de (re)construção do terceiro templo no monte dos templos em Jerusalém como outro acelerador para a volta de Jesus Cristo. Sucede que no local aonde se deve construir o referido templo, existe actualmente a Mesquita Al-Aqsa – parte do conflito entre Israel e Palestina, de forma especifica, mas Israel e os Estados Árabes do Médio Oriente, de forma geral, e eventualmente entre Israel e Estados de maioria muçulmana, advém dessa impossibilidade material: construir o templo no local aonde existe a Mesquita Al-Aqsa.

Historicamente, após a criação do Estado de Israel, os judeus religiosos participaram nalguns governos. Judeus religiosos têm se oposto a devolução dos territórios sucessivamente ocupados por Israel nas guerras israelo-árabes[8]. De forma resumida, muitos fundamentalistas judeus consideram necessário manter o Estado de Israel e que por meio dele a escatologia do retorno do Messias vai se efectivar.

Desse modo, Israel é um Estado teocrático (Lumer, 2023), um Estado que toma decisões influenciadas por considerações religiosas. Uma evidencia da associação Estado-Religião em Israel, é a referência frequente dos dirigentes israelenses para livros sagrados como Torá, tal como o fez Benjamin Netanyahu, Primeiro-Ministro israelita (Monitor, 2026), durante uma visita aos escombros decorrentes dos impactos dos misseis iranianos lançados contra Israel no contexto da actual guerra Israel-EUA contra Irão: “recorda o que amalek fez para ti”[9].

Imagem 2: Benjamin Netanyhu seguindo ritual religioso

Fonte: Christians United for Israel

Na foto acima o Primeiro-Ministro de Israel aparece num ritual judeu no contexto da “Guerra dos doze dias” de 2025, aonde Israel e EUA atacaram Irão.

Finalmente, entre EUA e Israel, existe uma conexão teológica manifesta numa versão evangélica das igrejas norte-americanas que pode ser qualificada como sionismo cristão. Essa perspectiva pode ser evidenciada nos recentes comentários durante uma entrevista[10] do Embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, qual “afirmou que seria “aceitável” se o Estado judeu assumisse o controle de uma vasta faixa do Oriente Médio, incluindo territórios que, segundo interpretação bíblica mencionada em entrevista, se estenderiam do Nilo ao Eufrates.” (O Globo, 2026). Esse é um exemplo enigmático da relação entre teologia e Estado, no caso EUA-Israel: fundamentalismo judeu-cristão. 

2.3. Fundamentalismo Islâmico do Irão

Muitos estudiosos usam o termo islamistas para referir-se aos fundamentalistas islâmicos, devido a origem historicamente cristã do termo fundamentalismo (Munson, 2026). Essa cautela previne uma ocidentalização conceptual, na medida em que o conceito “fundamentalismo” tem origem histórica ocidental. Feita essa cautela, pode-se prosseguir considerando, com todo o risco inerente, fundamentas islâmicos como islamitas.

A revolução islâmica de 1979 no Irão, representa um marco indelével na análise do fundamentalismo islâmico. Da revolução surgiu a República Islâmica do Irão – um Estado baseado na “interpretação iraniana” do Alcorão; por isso, um Estado teocrático. Aqui as aspas indicam que a forma como os iranianos baseiam suas leis no Alcorão não representa todo o mundo islâmico, como por exemplo, os sauditas, os indonésios, os turcos, ou os senegaleses. Assim, o fundamentalismo islâmico inclui socialismo, conservadorismo e outros movimentos seculares – não existe um único fundamentalismo islâmico.

Contudo, o fundamentalismo islâmico no Irão, não será uma rejeição completa do moderno, mas sim uma rejeição da dominação ocidental sobre sociedades islâmicas. E essa dominação está associada ao aspecto político e cultural, mais do que tecnológico e econômico. Portanto, o Irão se percebe como bastião e defensor legítimo dos interesses do islão no médio Oriente, contra a dominação e humilhação ocidental dos EUA e Israel – percebidos como o grande e pequeno satanás, respectivamente.

Imagem 3: Retrato dos Aiatolás

Fonte: BBC News Brasil

Na imagem acima, temos no retrato dos dois Aiatolás, termo usado para designar líderes religiosos e estatais no Irão. No Caso do Irão, o Estado teocrático apresenta-se de forma clara porquanto a Constituição inspira-se em textos islâmicos.

2.4. Índia e Brasil, exemplos não negligenciáveis

Na Índia, o Nacionalismo Hindu confunde-se com o fundamentalismo (Munson, 2026). O Partido Baratija Janata (Partido do Povo Indiano), do Primeiro-Ministro Modi representa as aspirações de um Estado Hindu. Aliás, basta lembrar que Índia e Paquistão já foram partes da mesma administração politica[11], no período colonial, e que se separaram por razões étnico-religiosas, para perceber o desiderato do Partido de Modi em criar um Estado que se espelhe no hinduísmo. A principal preocupação do nacionalismo hindu é a expansão muçulmana, sobretudo nas camadas desfavoráveis (anteriormente intocáveis) da Índia (Ibid). pode-se dizer que o nacionalismo hindu tem ganho força como um escudo da sociedade indiana contra a expansão do islão e dos Sikhs.

No caso do Brasil, o movimento dos partidos de direita apoiadores do antigo Presidente Jair Bolsonaro pode ser percebido como fundamentalista. Muitos dos apoiantes de Bolsonaro enquadravam-se em grupos evangélicos das igrejas pentecostais que olhavam para o Presidente como salvador do Brasil da condição de decadência moral e politica vigente. Durante o seu mandato na Presidência do Brasil, por exemplo, Bolsonaro era tido como “messias”, no vocabulário da direita politica brasileira, fortemente sustentada por pastores evangélicos. Ainda, depois de sua derrota, muitos dos seus apoiantes evangélicos referiam-se a sonhos proféticos para sustentar uma eventual recusa de aceitar a derrota para o Presidente Lula da Silva.

No caso do Brasil, os acontecimentos de 8 de Janeiro de 2022[12] são um exemplo paradigmático sobre como a religião condiciona o funcionamento do Estado Moderno.  Antes de se avançar especificamente sobre a influência dos líderes religiosos nos acontecimentos de 8 de janeiro, é importante trazer o significado de “líder religioso”. E Silva (2020), nos expões dois significados relativamente interessantes. Um quanto a prática e outro quanto ligação divina.

Por um lado a visão do chamado do líder religioso para viver às custas de um pragmatismo de puro ativismo religioso e múltiplas funções, que cresce a cada dia no viés da teologia da prosperidade (síndrome do super-homem), reforçando assim um chamado de pastoral de manutenção institucional. Por outro lado, é vivenciar a busca constante por um chamado de serviço, diacônico e de cuidado de pessoas na relação plena com o Numinoso (Sagrado), vivenciando o então Mysterium Tremendum. Esta busca está acoplada à maneira como o líder religioso se percebe e se vincula a uma rede de convivência, sustentabilidade e de comunicação entre si. (Silva, 2020)

Destarte, é igualmente importante notar que, os líderes religiosos, apenas têm importância porque tem seguidores. No caso do Brasil, notemos que mais de 80% da população assume-se como tendo fé ou acreditando em Deus (UOL Prime, 2022). Ora, essas pessoas que tem fé em Deus muitas vezes estão inseridas em igrejas e/ou congregações que têm líderes religiosos; e boa parte dessas congregações, que tem crescido exponencialmente, são evangélicas. Tanto é que, segundo uma pesquisa da DataFolha, de setembro de 2022 (UOL Prime, 2022), 56% dos brasileiros achavam que politica e religião deveriam andar juntas.

O evento de 8 de janeiro não é isolado do desenvolvimento da política brasileira nos últimos anos. E os factores supramencionados são para relacionar com uma variável constante durante os eventos anteriores e posteriores ao 8 de janeiro. Senão vejamos, parte significativa da população evangélica brasileira percebeu Bolsonaro como um resgatador da “decadência” do Brasil. E Bolsonaro olhou para esse facto como uma oportunidade para cimentar sua base de apoio: religião, família, conservadorismo moral. 

De forma recente, depois de eleito, o Presidente Jair Bolsonaro foi recebido na Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no Rio de Janeiro pelo Pastor Silas Malafaia; seguidamente, Bolsonaro indicou André Mendonça, um evangélico, para o supremo tribunal, o que o concedeu mais apoio no seio dos evangélicos, embora Bolsonaro ser católico. Por seu turno, Valdirene Morreira considerava que, quanto a necessidade de sair a rua e demonstrar indignação face aos resultados eleitorais que consagraram Lula da Silva como presidente do Brasil, “nós fazemos a nossa parte e Deus faz a Dele, e há tempo de paz e tempo de guerra” (Fellet, 2023).

Outros pastores também se posicionaram a favor de Bolsonaro nas eleições presidências de 2022, no Brasil. São o caso de João Carlos Marques, da Igreja Batista em Células; a pastora Ana Rita Reia Lima, da Comunidade Evangélica Fé, Vida e Graça, ambos da Baia; ou ainda o pastor Claúdio Duarte, do Projecto Recomeçar, do Rio de Janeiro (UOL Prime, 2022).

Boa parte desses religiosos actua pelas redes socias mais do que pelas igrejas físicas. Valdirene, por exemplo, chegou a ter 300.000 seguidores no YouTube. E a maioria dos pastores que apoiavam o movimento que fez eclodir o 8 de janeiro falava em revelações e profecias. Por exemplo, a pastora Valdirene Morreira falava de visões sobre a necessidade de uma ação mais assertiva por parte dos apoiantes de Bolsonaro (Fellet, 2023).

Outro pastor, Reginaldo Rolin, do Cearà, falava de um sonho onde Jesus tomava todos os três poderes no Brasil. Acrescentando que o exército tomaria o poder para proteger Bolsonaro. Ainda, Marcelo de Carvalho, pastor da ciência da profecia, teria informado que de acordo com uma visão que teve, a bandeira do Brasil não seria mais verde e amarela, mas vermelha; para depois desmentir a autoria da “profecia”. Ainda, o Pastor Sandro Rocha (no Twiter, X, conhecido como Maurício Rocha) mencionou que Bolsonaro não abandonaria a presidência do Brasil, e que Lula da Silva teria morrido e sido substituído por um sósia. Ainda falava de uma visão que consistia na explosão do Supremo Tribunal Federal (STF), e presença de um anjo que vai ocasionar jorramento de sangue no Congresso e uma guerra no Brasil (Ibid).

Como podemos perceber, todos esses comentários desses pastores podem ser relacionados com os factores acima arrolados, na medida em que, esses comentários vão propulsar e instigar a desobediência das decisões eleitorais. Porquanto, esses pastores gozam de uma forte base de apoio, que os segue com pouca contestação.

2.4. Caso de Estudo de Actores Não Estatais: Al-Qaeda, Boko Haram, e Movimento de Libertação do Senhor

Os actores não estatais derivam dos Estados, são actores secundários ou derivados, e por vezes condicionam o poder dos Estados. Muitos desses actores baseiam suas acções no fundamentalismo. Na Índia, existe o fundamentalismo Sikh, que procura criar um Estado na província Punjab, com base nos valores da cultura Sikh. Aliás, o caso emblemático da oposição dos Sikhs ao Estado Indiano é o assassinato de Indira Gandi, então Primeira-Ministra Indiana, em 1984, por dois dos seus guarda-costas Sikhs. (Munson, 2026)

Por seu turno, a Al-Qaeda como grupo fundamentalista, faz uma leitura própria do Alcorão. Criada como um movimento de luta contra a presença soviética no Afeganistão (1979-1989) tornou-se numa força fundamentalista contra a dominação estrangeira no Médio Oriente (Britannica Authors, 2026). Dominação estrangeira leia-se dominação ocidental. Assim, este grupo efectuou ataques contra as Embaixadas dos Estados Unidos em Dar-es-Salam e Nairóbi em 1988 e contra as Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, em 2021. 

Esses ataques são percebidos entre seus apoiantes como luta legítima alicerçada no Alcorão. Tanto é que os apoiantes e integrantes do Al-Qaeda apelidam sua luta de Jihad, palavra árabe que significa luta, esforço, empenho, dedicação, etecetera. Digressão necessária, essa luta é para agradar a Deus. Porém, a Jihad pode ser divida em duas, pequena e grande, sendo a pequena referente ao confronto físico (mais fácil) e a grande referente ao esforço interno de auto melhoria (mais difícil). 

Por sua vez, o grupo Boko-Haram que actua na Nigéria, sustenta suas acções terroristas e criminosas no Alcorão, tal como o grupo Al-Qaeda. O próprio nome “Boko Haram” pode traduzir-se para “Educação Ocidental é Pecado”. As acções terroristas do Boko Haram desafiam o Estado Nigeriano, na medida em que por vezes ocupam territórios, sequestram população e condicionam a vida da população, com objetivo de minar a legitimidade do Estado Nigeriano. Tal como o grupo Al-Qaeda, seus integrantes reivindicam-se da Jihad nos ataques criminosos que efectuam.

Finalmente, o Movimento de Libertação do Senhor (MLS) como grupo fundamentalista, faz uma leitura fundamentalista da Bíblia. O MLS é um grupo armado que levou a cabo actos terroristas[13] no Uganda com o objectivo de depor o Presidente Yoweri Museveni (Bunting). O MLS é precedido pelo Movimento do Espirito Santo, criado em 1986 por Alice Lakwena, e depois pelo Exército Unido da Salvação Sagrada. O MLS foi liderado por Joseph Kony e actuou militar e criminalmente justificando-se nos dez mandamentos da Bíblia. Aliás, este grupo reivindica a instalação de um governo baseado nos dez mandamentos, considerando os governos seculares como corrompidos. Assim, o MLS actua esporadicamente na República Democrática do Congo (RDC) e República Centro Africana (RCA), além do Uganda.

3. Radicalismo, uma fase avançada do fundamentalismo?

O Radicalismo é muitas vezes usado de forma inadvertida com fundamentalismo, porém importa relembrar sua definição. “Radicalismo é qualquer movimento que toma certos princípios em sua raiz, em seu estrito espírito e essa posição, normalmente reativa, é uma tentativa de se encontrar a pureza de algum discurso ideológico, suas raízes.” (Gonçalves, 2018). O Radicalismo nasce no contexto francês de lutas politicas de 1830 (Munro, 2026). Nesse contexto, os radicais se opunham a coroa francesa. Importa fazer um parênteses para definir igualmente extremismo, que é um conceito aplicado para ideias ou grupos opostos as ideias gerais de uma sociedade determinada (Sitoe, 2022). O extremismo consiste na existência de ideias distintas ao extremo daquelas predominantes em determinada sociedade.

Voltando ao conceito de radicalismo, embora muitas vezes associado com extremismo, ambos têm características próprias, porquanto enquanto o extremismo é muitas vezes estático, no que concerne ao desenvolvimento da sociedade aonde se insere, o radicalismo é dinâmico (Ibid). Ambos, não exigem, a priori, acção violenta como muito se pensa.

Assim, embora cada um tenha suas peculiaridades, o fundamentalismo, radicalismo e extremismo são conceitos que, instrumentalizados, levam para acção violenta. Note-se que em todos os grupos fundamentalistas, dentro do aparato estatal ou fora dele, não surgem imediatamente como violentos, mas as condições contextuais e existência de agentes mobilizadores tornam-nos violentos. E esse processo de instrumentalização é percebido como radicalização (Fair, 2024).

E a radicalização é que permite a acção prática dos fundamentalistas e extremistas. Para tal, Fair (Ibid) tendo como referência a Análise Comportamental do Federal Bureau of Investigation (FBI), considera que três elementos são determinantes no processo de radicalização: (i) procura por justiça, (ii) desejo de notoriedade e reconhecimento, e (iii) vontade de resolver um problema pessoal intolerável. Importa olhar então para as fases de radicalização, que embora elas se concentram no terrorismo, servem para compreender acções fundamentalistas, porquanto muitos grupos fundamentalistas desembocam em grupos terroristas[14].

Gráfico 1: Ciclo de Radicalização

Fonte: Adaptado pelo Autor, com base no texto de Fair (2024)

O ciclo acima, embora muitas vezes aplicado para grupos terroristas, pode ser ideal para compreender entidades fundamentalistas apresentadas acima. Por exemplo, se pretendermos analisar o conflito actual (Março de 2026) entre Israel-EUA contra Irão, iniciado pelos aliados Israel-EUA, percebe-se que o (i) gatilho despertado nos lideres dos dois países consiste no argumento teológico da vinda de Jesus, e esse argumento foi (ii) aceite pelos respectivos lideres que começaram a fazer (iii) advocacia do mesmo, por meio de discursos públicos e aparições com lideres religiosos, até se (iv) efectivar o ataque de 28 de Fevereiro contra Irão.

O mesmo exercício vale para o Irão, que tendo uma liderança sensível a ideias fundamentalistas pode ter tido o gatilho nas invasões americanas ao médio oriente nas décadas 90 e 2000, e advocacia foi feita na medida em que passou a considerar os EUA como o “Grande Satanás” e Israel como o “Pequeno Satanás”, e a efetivação foi a retaliação do ataque que sofreu.

4. Nota Conclusiva

Ao fim deste exercício analítico é importante destacar a proximidade dos conceitos fundamentalismo, radicalismo, extremismo e até terrorismo[15]. São conceitos conectados, certo cada um têm suas peculiaridades, porém dificilmente podem ser desassociados, sobretudo quando se procura perceber uma acção violenta com base fundamentalista. Isso é, as ideias fundamentalistas e extremistas, precisam de um processo de radicalização para que possam ser implementadas na prática, resultando muitas vezes em acções terroristas.

No contexto actual da guerra entre Israel-EUA contra Irão, percebe-se que o fundamentalismo é uma realidade nos três Estados. Neles todos, encontramos também ideias extremistas e radicais que têm sido instrumentalizadas para acção prática e concreta com objectivos políticos. O próprio início da guerra actual entre EUA-Israel versus Irão, é baseada em ideias fundamentalistas que foram radicalizadas até a efectivação dos ataques de 28 de Fevereiro de 2026.

Um elemento de atenção: as decisões politicas influenciadas por ideias fundamentalistas não são sempre significado da crença de quem lhas toma. Líderes como Donald Trump e Benjamin Netanyahu, podem não acreditar nos textos sagrados que referenciam suas decisões políticas, mas pelo ganho político que advém de tais decisões, fazem uso apropriativo desses textos sagrados.

Por fim, a presença do fundamentalismo nas hostes de Actores Estatais coloca desafios a noção westfaliana de relações internacionais, embora ainda sejam necessário mais estudos aprofundados para perceber a complexidade do fundamentalismo nos diferentes Estados do Sistema Internacional Westfaliano. De qualquer forma, é uma afronta teórica à Vestefália e uma oportunidade para sofisticar a noção de Estado-nação o facto de unidades políticas ocidentais aproximarem-se mais à Teocracias do que Democracias.

A isso se relaciona o fundamentalismo existente nos actores não-estatais que vão usar também ideias tidas como sagradas para legitimar suas ações. Portanto, percebemos nos três exemplos de actores não-estatais que os grupos fundamentalistas que actuam dentro dos Estados pós-coloniais africanos têm limitado o poder desses Estados. Mas só limitam porque os Estados africanos, na sua maioria são seculares e laicos, westfalianos. Se as ideias desses grupos forem abraçadas pelos Estados, o Estado torna-se teocrático, tal como sucedeu no Irão que até 1979 era um Estado secular.

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UOL Prime, U. P. (Director). (2022). "Bolsonaro é um fenômeno": Claudio Duarte fala

 

 

 

 



[1] Foram guerras movidas por causas nacionais, principalmente por motivos religiosos.

[2] Actores não estatais, no estudo das relações internacionais, são aqueles que não se enquadram na definição de Estado, tais como: Organizações Internacionais (OI), Organizações Não Governamentais (ONG), Empresas Multinacionais, Indivíduos. 

[3] O rigor metodológico exigiria que para cada conceito se fizesse um debate etimológico, conceptual, contextual e operacional, porem, aqui se deliberou no conceito mais adequado para a realidade Africana – o  que pode suscitar criticas de um excessivo subjectivismo; mas as ciências sociais são susceptíveis de tal consideração.

[4] Tradução livre: “Fundamentalismo é um tipo de movimento conservador caracterizado pela advocacia de conformidade estrita com textos sagrados. Inicialmente foi usado para referir-se para Protestantes Americanos que insistiam na infalibilidade da Bíblia, o termo fundamentalismo foi aplicado mais amplamente ao fim do século 20 para vários movimentos religiosos. Na verdade, num sentido amplo, muitas das actuais religiões tem movimentos fundamentalistas”.

[5] Curtis Lee Laws foi dos primeiros pastores a usar o termo, e depois A. C. Dixon e R.A. Torey publicaram “The Fundamentals”, uma obra sobre princípios religiosos.

[6] Aqui vale lembrar que o actual Secretário de Guerra dos EUA terá mencionado em 2018 que a expansão do Estado de Israel é um milagre, e que não via obstáculo para a construção do Terceiro Templo.

[7] Estado-nação é a organização política, populacional e territorial que se baseia em aspectos seculares para sua constituição. Assim, muitas vezes usamos apenas a palavra Estado, para nos referirmos ao Estado-nação. Quanto aos componentes, resumidamente, um Estado deve ter (i) povo, (ii) território e (iii) poder político organizado; mas, no domínio das relações internacionais um quarto elemento se faz pertinente: (iv) ser reconhecido por outros Estados. Por seu turno, nação-Estado é a organização política, populacional e territorial que se baseia em aspectos nacionais e culturais para sua constituição. Os elementos de composição do Estado nacional são extensivos para nação-Estado. Historicamente, o caso dos Estados Unidos da América (EUA), principalmente depois da guerra de secessão, exemplifica o Estado-nação. Para o caso da nação-Estado, o caso de Israel é exemplo flagrante.

[8] Os conflitos Israelo-Árabes são um conjunto de guerras entre Israel e os Estados Árabes do Médio Oriente, como Egipto, Iraque, Jordânia e Síria. Esses conflitos podem ser resumidos em quarto: Primeira Guerra Israelo-Árabe (1948), Guerra de Suez (ou crise do Canal de Suez) que incluiu a participação do Reino Unido e França (1957), Guerra dos Seis dias (1967) e Guerra de Kippur (1973).

[9] Na tradição judaica, Amalek é uma tribo que atacou judeus durante o exilio desses no Egipto.

[10] Entrevista concedida ao jornalista americano Tucker Carlson.

[11] Índia e Paquistão foram colonizados pelo Reino Unido até meados do século passado (1947) quando alcançaram a independência. Um dos aspectos que ditou a separação dos dois territórios foi a necessidade de criar-se um Estado para muçulmanos (Paquistão) e outro para Hindus (Índia).

[12] No dia 8 de janeiro de 2022 ocorreu o que ficou conhecido como invasão a sede dos três poderes. Nesse evento, populares apoiantes de Jair Bolsonaro invadiram a sede dos Poderes Judicial, Executivo e Legislativo em Brasília como reivindicação do que percebiam ser injustiça nos resultados eleitorais que davam vitória ao Presidente Lula da Silva.

[13] Perceba-se terrorismo como o uso ou ameaça de uso da forca para conseguir ganhos políticos.

[14] Com pouca excepção, todos os grupos, Estatais e não estatais arrolados neste documento podem ser enquadrados como terroristas, se lembrarmos de que terrorismo significa fazer uma acção com recurso ou (ameaça de uso) da forca para obter ganhos políticos.

[15] Sobre o terrorismo por exemplo, ele é um conceito presente no actual conflito ente Israel-EUA contra Irão. Por um lado, EUA e Israel acusam Irão de ser financiador do terrorismo internacional, pelo apoio que oferece a grupos (terroristas, par o Ocidente; de Resistência para o Oriente) como Hamas ou Hezbollah. Por outro lado, Irão acusa EUA de terrorismo pelo bombardeamento a uma escolar civil aonde estudavam cerca de 150 crianças neste mês de maio de2026, além de outro bombardeio para uma estação de dessalinização que condiciona o fornecimento de água potável à aldeias iranianas.

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